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O charme de um jardim com pouca manutenção

O charme de um jardim com pouca manutenção – o jardim mediterrânico

Quero dar-vos a conhecer um jardim que visitei o ano passado na multicultural cidade de Marselha.

Um dos principais requisitos para o jardim, por parte dos clientes é que este seja de baixa manutenção. No entanto, grande parte das pessoas tem no imaginário um tipo de jardim de influência inglesa. Ora a inglaterra não tem o mesmo clima que nós e este tipo de jardins para existir no nosso país precisa de bastante manutenção e sobretudo, água.

Por isso achei interessante dar-vos a conhecer este jardim público em Marselha, com uma estética diferente daquilo que a nossa sociedade entende por jardim mas igualmente bonito e agradável. Uma estética que teremos cada vez mais no nosso pais até porque os momentos que correm, alterações climáticas e escassez de água a ela obrigam.

Trata-se do jardim sobre o Fort Saint Jean, um monumento histórico que foi recentemente alvo de reabilitação e junto do qual se integrou o Mucem que inaugurado em 2013 consiste no primeiro museu dedicado ao mediterrâneo.

Cidade que se construiu da diversidade de culturas provinda do mediterrâneo, Marselha tem agora o jardim da migração. Um verdadeiro testemunho da riqueza da paisagem mediterrânica.

O projecto é da autoria dos arquitectos paisagistas Agence APS, abaixo a descrição dos mesmos:

‘’Sensorial e didático, o jardim é concebido como um “livro sempre aberto”, onde é preciso desviar-se para descobrir as evidências do conhecimento, seja da história natural ou da história humana.

Com vista para o porto de Marselha, local de chegada de plantas e homens, o jardim das migrações evoca, através de uma sucessão de dezesseis pinturas, a mistura de culturas em torno do Mediterrâneo e as plantas que as acompanham.

As passagens e múltiplos níveis que animam os lugares do forte prestam-se a uma proximidade imediata para o visitante atento ou o caminhante distraído. Esta abordagem garante o interesse ao longo do ano, independentemente dos períodos de floração.

Permite valorizar uma coleção botânica de plantas mediterrâneas em um contexto de jardim seco, requerendo manutenção reduzida e não requerendo tratamento com água, fertilizantes ou fitossanitários.

O jardim torna possível superar a oposição entre plantas nativas ou exóticas e convida-nos a refletir sobre as noções de permeabilidade, fluxo, migração e evolução.

Custo: 6,9 milhões de euros

Área: 15.000 m²

Data de conclusão: 2011 a 2013 ‘’

Este teve a intervenção de O. Fillipi, especialista em flora mediterrânica.

Veja a galeria abaixo, todas as fotografias são da minha autoria

 

 

Amália Souto de Miranda

Arquitecta Paisagista

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